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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A MUSA DAS VIRGENS DE SARJETA


A MUSA DAS VIRGENS DE SARJETA

Sou o sonho das virgens
esquecidas na calçada
das pequenas, inocentes 
princesinhas de arrabalde



Trago junto do meu peito
muitos sonhos delicados
trago junto dos meus olhos
um caminho sem escolha

Como a noite, preguiçosa
vai colhendo suas histórias
Eu caminho sobre a Terra
respirando nos desejos

Sou a noiva inocente
que cedeu sem ser sagrada
sou a alma das Princesas
de arrabalde, nas calçadas





Trecho do meu texto teatral ”O bloco das mimosas borboletas”
 
(adaptação livre de um conto de Ribeiro Couto)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Bella Ciao




"Esta é a história de um sonho! De um grande sonho de um pequeno homem!" Me lembro até hoje desta frase, que abria a peça "Bella Ciao", produzida pelo Grupo Arte Viva; um dos trabalhos mais lindos que vi no teatro. Mudou a minha vida, completamente! Nem lembro de quantas vezes assisti a essa obra prima, no extinto Teatro Taib, na Rua Três Rios, no Bairro do Bom Retiro. Eu já estudava teatro naquela época (1984), e me encantei com a peça, com tudo. Me lembro até que consegui convencer a produção a me deixar gravar o espetáculo com um gravador K7 (naquela época era muito caro comprar uma câmera de VHS). Ficava ouvindo o espetáculo, em casa, e imaginando as cenas. Alí eu decidi: Vou estudar dramaturgia com esse cara (o Luis Alberto de Abreu, autor do texto), e fui à luta! Consegui o telefone dele, fui até a casa dele (no bairro da Vila Mariana), conheci a esposa dele, com seu filho recém nascido, e não larguei mais do seu pé até que ele me aceitou como seu aluno na turma de dramaturgia, que ele montou no CPT (do Antunes Filho), quatro anos depois (em 1988). Aquele elenco maravilhoso até hoje povoa meus sonhos, com os ecos de suas maravilhosas interpretações. Fiquei amigo de alguns. Mas, do Abreu, eu virei discípulo, sem babação de ovo ou idolatria. Por respeito, e admiração, a alguém modesto, provocador, de fala mansa... Tranquilo! O meu mestre, Abreu! A gente às vezes anda por essa vida, causando uma coisa aqui, outra aculá, e nunca se dá conta do quanto realmente causamos. E de quantas vidas transformamos. Gratidão, Grupo Arte Viva! A arte de vocês ainda vive em mim.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre a estrada


Quando tão jovens
uma estrada só
Queen, Led Zeppelin, Zé Ramalho e Beatles na mochila. 
E todo tempo do mundo para errar.
Ah, as quedas são os atalhos e bifurcações do caminho.
Só existe um único, e principal caminho. 
Let it be, let it be!