Dê-me um lápis e algumas folhas de papel, e eu construirei um mundo. Não
um mundo de mentira. Um mundo para os sonhadores. Um mundo ideal,
reinventado, para todas as crianças, principalmente aquelas com mais de
15 anos, que estivessem perdendo a capacidade de sonhar, pensando que
estavam acordando. Mas, só estariam adentrando, cada vez mais, no
labirinto da vida, rumo ao abismo do esquecimento. Esse mundo seria
criado especialmente para estas crianças velhas, que se perderam de
si e começaram a buscar-se no outro. Nele, haveria uma revelação em
cada canto, para quem tivesse paciência para ver e ouvir. E as crianças
teriam capacidade de conversar com os bichos, com o sol, com a terra,
sem dizer uma só palavra. Respirariam devagar, sem engasgarem-se com o
ar, ou as palavras. Um mundo onde a internet seria uma grande caverna,
na qual ninguém poderia penetrar, mas poderia parar na sua entrada, para
perguntar o que quisesse. De lá de dentro uma voz poderosa sempre
responderia. Haveria mistério, encantamento e muita humildade, nesta
voz. E a resposta mais comum, seria “eu nada sei sobre isso, só ouvi
falar à respeito, mas nem sei se é verdade”. Seria um mundo com música, é
claro, mas com algumas penumbras de silêncio, também. Mas, neste mundo,
também haveriam alguns perigos. Os maiores deles, seriam a certeza e o
julgamento. E, em alguns momentos, de forma imprevisível, as crianças
seriam beliscadas por alguma coisa invisível, só para ficarem atentas e
conscientes. Seria um bom mundo, tenho fé que seria, pois nele eu
colocaria o meu pior, com muito humor, e o que há de melhor, com amor.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015
O MELHOR DOS MUNDOS
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
No colo de Gaya
E quando a falsa certeza
endurecer meu coração
que a minha natureza,
embusteira, diga não
Que a verdade saia
E eu adormeça, sereno,
no colo de Gaya
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domingo, 10 de maio de 2015
Memórias de um Monge Guerreiro
“Nasci
durante uma guerra, exatamente em um campo de batalha. Minha mãe
gritava de dor em meio aos bombardeios, tiros e gritos de homens
enfurecidos, amedrontados e apressados.
Alguns
homens, enquanto lutavam, a percebiam parindo, ali mesmo, no meio do
nada. Mas não tinham tempo para se importar com mais nada, a não ser
salvar suas vidas.
E
assim, eu nasci. Meu primeiro choro foi abafado pelos tiros dos
canhões. Posso dizer, sem nenhum orgulho, que sou filho da guerra.
Quando
o conflito cessou, eu já estava crescido, de pé sobre uma colina,
contemplando um campo que fora banhado com o sangue de muitos, e que a
terra tratou de beber, e transformar em relva abundante.
Mais tarde me deram uma espada, para que tratasse de me defender, da melhor maneira que pudesse.
Foi
então que aprendi a farejar a guerra em seus menores ruídos e
movimentos; que aprendi a manter minha espada sempre na bainha, sem
esforço, sem luta, sem dor.
A
guerra me criou assim: próspero, alegre e misericordioso. Me mostrou o
som que há no coração dos homens, para que eu pudesse escutar o meu
próprio.
E a guerra me ensinou a harmonia que existe, entre a tempestade e a calmaria.”
Crônica de Guerra, do meu Espetáculo Teatral " Arte da Guerra"
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