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terça-feira, 2 de junho de 2015



O grito (kiai) deve ser surpreendente, deve vir do âmago, pois está liberando uma energia de ataque. Uma vez que este ataque vem em forma de som, assusta o inimigo e o deixa desprotegido por alguns instantes. Cada pessoa tem o seu próprio kiai, e ele é tão pessoal, quanto uma impressão digital. Um lutador que desejar desenvolvê-lo, precisa fazê-lo brotar, arrancá-lo, de suas entranhas.
Não se ensina um kiai, mas ele pode ser aprendido. Um professor pode orientar, conduzir, o aluno a pesquisar o seu próprio grito. Mas, se tentar ensiná-lo, o resultado será catastrófico. Seu aluno, certamente, cometerá o grave erro de tentar imitá-lo, aprendendo apenas uma forma vazia e estereotipada. O tiro sairá pela culatra. Quando se utiliza um kiai, estando apenas na forma, vazia de energia, ele não provoca qualquer efeito no adversário. Ao contrário, acaba alertando-o sobre o movimento do ataque e o deixa prevenido, facilitando a sua defesa.
O kiai deve ser surpreendente até para quem o emprega, ou então não deve ser usado. Se o lutador não sentir que vai surpreender, é melhor que ele ataque calado.

Trecho extraído de meu livro "Quem teme perder, já está vencido" (Lições aprendidas em uma academia de artes marciais, que podem ser úteis em vários setores de nossa vida) 

domingo, 10 de maio de 2015

Memórias de um Monge Guerreiro

“Nasci durante uma guerra, exatamente em um campo de batalha. Minha mãe gritava de dor em meio aos bombardeios, tiros e gritos de homens enfurecidos, amedrontados e apressados.
Alguns homens, enquanto lutavam, a percebiam parindo, ali mesmo, no meio do nada. Mas não tinham tempo para se importar com mais nada, a não ser salvar suas vidas.
E assim, eu nasci. Meu primeiro choro foi abafado pelos tiros dos canhões. Posso dizer, sem nenhum orgulho, que sou filho da guerra.
Quando o conflito cessou, eu já estava crescido, de pé sobre uma colina, contemplando um campo que fora banhado com o sangue de muitos, e que a terra tratou de beber, e transformar em relva abundante.
Mais tarde me deram uma espada, para que tratasse de me defender, da melhor maneira que pudesse.
Foi então que aprendi a farejar a guerra em seus menores ruídos e movimentos; que aprendi a manter minha espada sempre na bainha, sem esforço, sem luta, sem dor.
A guerra me criou assim: próspero, alegre e misericordioso. Me mostrou o som que há no coração dos homens, para que eu pudesse escutar o meu próprio.
E a guerra me ensinou a harmonia que existe, entre a tempestade e a calmaria.”

Crônica de Guerra, do meu Espetáculo Teatral " Arte da Guerra"