Mostrando postagens com marcador Educador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educador. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Arriscar-se!




"Arriscar-se é tropeçar em si mesmo, sempre. E, há melhor maneira de dar de cara com a gente, pra colocar o papo em dia?"

A lógica costuma ajudar nessas horas. Basta, nesta tropeçada consigo mesmo, se perguntar:

- O que eu tenho, antes de me arriscar?
- Nada!
- E o que eu terei, se me arriscar e falhar?
- Nada!
- Então, o que eu perco, me arriscando?
- Nada!

Simples, né?

terça-feira, 7 de julho de 2015

O andar do Lobo Ferido (trecho)



E com o passar dos anos, ele aprendeu a combater os invejosos com elogios. Tentava enxergar, na mínima ação que fizessem, algum brilho revelador. Quase chegava a acreditar no valor daquilo que dizia. E continuava seu caminho, seguro e sereno. E, os invejosos o fitavam, crentes de que enxergavam um igual. Mas o sol, cruelmente sincero, projetava sua luz sobre todos, e sua sombra destacava-se, onde quer que se posicionasse, para se proteger das intrigas. Foi então que a noite chegou. E, perante a luz da lua cheia, ele percebeu que só lhe restava soltar seu poderoso uivo, que incomodava e ensurdecia os demais, gelando suas espinhas. Se a luz do sol evidenciava a sua sombra, a escuridão da noite a transformava num imenso manto.

Trecho do conto “O andar do Lobo ferido” - Extraído do meu livro “Crônicas dos espíritos da Terra”

sábado, 4 de julho de 2015

Como nasce uma piada



A gente nunca sabe com certeza como (ou onde) nasce uma piada (ou um boato), mas existe uma que eu tenho quase certeza que vi nascer, pelo contexto do fato. Trabalho com oratória desde 1993 e, apesar de trabalhar muito com um público corporativo, também tenho o público religioso como um dos meus principais nichos (tenho, inclusive, um livro publicado pelas paulinas sobre o assunto). Em alguns períodos, sou convidado a ministrar cursos em alguns seminários e Faculdades católicas, pelo país. Foi numa dessas ocasiões que fui convidado pelo Seminário de Santo Afonso, em Aparecida (SP), para um curso de final de semana, para uma turma de seminaristas. Lá eu conheci o Padre Hilton Furlani (esse aí da foto), que hoje está com 86 anos de idade, e nunca perdeu seu bom humor. Sei disso porque, apesar de não vê-lo há anos, sempre tenho notícias dele. O Padre Furlani, durante o jantar, me contou um dos seus divertidos "causos":
- Professor, o Senhor deve ter percebido que aqui, na entrada do nosso Seminário, temos uma pequena estrada de paralelepípedos. Pois bem, eu ainda era um jovem seminarista quando um candidato a prefeito veio aqui, fazer campanha; e durante o discurso, fez uma promessa: "Eu tenho fé, vocês têm fé, e com as nossas fezes, nós vamos paralelepipeidar este seminário!"
É claro que todos caímos na gargalhada. E eu passei a contar este "causo" em alguns dos meus cursos, para ilustrar alguns tipos broncos de oradores populistas que existem por aí (na sua maioria, políticos).
Outro dia, em um programa humorístico, na TV, um comediante soltou uma piada, onde dizia: "Eu tenho fé, vocês têm fé. E, com as nossas fezes..." E, parou por aí.
A piada até que funcionou, mas, com o "paralelepipeidar", é impagável!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sobre a certeza

Existem pessoas que não percebem a riqueza da dúvida porque andam embriagadas com a pobreza da falsa certeza. Aquele que realmente possui a certeza, nunca para de descobrir as novas faces da verdade. Surpreende-se como uma criança, que nunca deixa de emocionar-se espontaneamente.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

MEU FILOSOFAR DE HOJE



"A maior honestidade que um homem pode ter é para consigo mesmo. Esse tipo de honestidade é a mais rara e difícil de ser alcançada, pois nunca somos a mesma pessoa, estamos sempre mudando, a cada momento somos um novo alguém. Então, ser honesto com quem? Como, se cada novo eu que surge está sempre sendo enganado pelas ideias e tramóias de um eu que já não existe?"

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Professor Gastão



No ginásio, na minha sexta série, quando eu estudava no Colégio Alfredo Bresser, em Pinheiros (São Paulo, Capital) eu tive um professor de Educação Moral e Cívica, chamado Prof. Gastão. Ele era alto, falante, um pouco histriônico e altamente reacionário. Não parecia. Todos riam em suas aulas, ele me tratava carinhosamente por “Emilinho” e, se a gente respondia atravessado a alguns de seus "bullyings”, ele respondia: - Meu querido, você não percebe que o meu bom humor me obriga a brincar com você? E nos desmontava.

Me lembro que em uma de nossas primeiras aulas ele falou de Robinson Crusoé, para ilustrar que nenhum homem é uma ilha. Na mesma hora eu lembrei, e levantei a mão:
- Professor, tenho uma revista que conta a história do homem que inspirou esse livro.
- Que maravilha, Emilinho! Você poderia trazer pra gente ver, na próxima aula?
- Claro! Respondi, todo orgulhoso, por ter alguma coisa exclusiva, que poderia contribuir com nossa aula.
Ao chegar em casa, a primeira coisa que fiz foi colocar o “gibi” na minha mochila, para não esquecer. Exatamente! O gibi! A revista que eu tinha era um Gibi, editado pela Bloch editores, com super heróis da Marvel. Não me lembro ao certo qual era o herói titular da revista (poderia ser o Capitão América ou o Homem Aranha), mas me lembro que, no final destas revistas, eles publicavam (talvez para preencher espaço, tornando a revista mais volumosa e atraente, ou até mesmo para educar os leitores com algo mais instrutivo do que histórias de super heróis) adaptações para os quadrinhos de fatos históricos, ou de episódios inspirados na vida de grandes personagens da cultura mundial. Me lembro de uma história sobre o pintor Giotto di Bondone, e da história de um marinheiro escocês, chamado Alexander Selkirk, que brigou no navio e foi abandonado em uma ilha do Pacífico, onde viveu por quatro anos, em companhia de uma macaca, que ele domesticou, até ser resgatado. Sua história foi adaptada para os quadrinhos e publicada neste gibi. No final da história, havia uma nota que dizia que Daniel Defoe se inspirou em sua história para escrever seu célebre romance, Robinson Crusoé.
Na aula seguinte, ao entregar a revista ao meu professor, uma surpresa:
- Mas, o que é isto?
- A revista de que falei.
- O senhor está tentando zombar de minha aula?
- Não, professor, olhe aí dentro que o senhor vai ver…
- Vá agora para a diretoria.
- Mas, abra a revista, e…
- Nem mais uma palavra. Como o senhor ousa zombar da minha aula, me trazendo um lixo destes?
- Mas, professor…
- Já para a diretoria!
E lá fui eu para a Diretoria, sob os risos e zombarias de toda a sala. Ainda tinha a esperança de que ele ao menos folheasse a revista e descobrisse a minha história. Quem sabe ele percebesse em tempo, e até se retratasse. Mas, isso nunca aconteceu. Ele não me devolveu meu gibi, não tocou mais no assunto, e o caso foi arquivado nos fichários da minha memória, como uma das grandes injustiças que sofri.
Anos depois, na faculdade, quando tive uma das primeiras aulas de Semiótica, com o Professor Araújo (não lembro o primeiro nome dele, só o chamávamos por Araújo), ele analisou uma história em quadrinhos do Monstro do Pântano, escrita pelo célebre Alan Moore. Analisou o roteiro, a linguagem gráfica, as cores, os signos (ícones) presentes para provocar no leitor uma sensação estética. Enfim, deu sentido a toda a iconografia existente na obra.
Me senti motivado a confessar que, desde a mais tenra idade sempre fui um leitor assíduo dos quadrinhos. E contei o episódio com o professor Gastão, para ilustrar o preconceito com o gênero.
O Professor Araújo, indignado, sentenciou: - Mas, este homem era um troglodita! Como pode, um educador, inibir desta maneira uma iniciativa juvenil? Será que ele não sabia que desde o década de oitenta, os quadrinhos já são considerados como a 9a arte?
Saí da aula com a alma lavada, me sentindo um vanguardista. Senti até uma certa compaixão pelo professor Gastão. Nos anos setenta os quadrinhos eram considerados subcultura. Sua intenção talvez fosse boa: - Onde já se viu, eu tento ensinar a eles sobre literatura, estimulando-os a lerem Robinson Crusoé, e aquele energúmeno me aparece com uma revistinha do Homem aranha!

No final, me questionei, qual seria o seu legado? O que lembro sobre ele? Há algo a acrescentar? Nenhuma foto para recordar! Muito pouco!
Algumas imagens e informações soltas foram surgindo. Sua figura era marcante: alto, grisalho, bigode farto, cabelos penteados para trás (quase engomados). Seu estilo de falar era formal e a articulação, às vezes, carregada. Mas, como já disse, havia um certo histrionismo em sua forma de dar aulas que nos provocava riso. Eu costumava imitá-lo para meus colegas com a frase: “Você fica quieto, aí!” Me lembro que todos os colegas, principalmente as meninas, riam muito quando eu esbugalhava os olhos, esticava o pescoço, e balançava a cabela pateticamente, ao dizer a frase. Era advogado! Namorava uma morena alta e muito bonita (todos os colegas, adolescentes, comentavam que ela deveria ser modelo). A segunda imagem mais marcante dele, comigo, foi nos corredores da escola, no penúltimo ano do ginásio, quando meu irmão faleceu. Todos os professores vieram me consolar carinhosamente, cada qual a seu modo. Quando encontrei com o Professor Gastão, imaginei ele me falando carinhosamente, como algumas vezes o fez em aula, para nos desmontar. Mas, seu discurso foi um voto de pêsames formal e contido. Talvez estivesse tentando segurar a emoção, para não demonstrar qualquer fraqueza. Não sei! Algumas pessoas simplesmente não conseguem demonstrar suas emoções. O personagem que o professor Gastão criou, talvez fosse assim.
Mas, alguma coisa dele vive em mim, com certeza. Nem que seja para eu colocar em algum dos meus personagens, no dia em que tiver que dizer, em alto e bom tom: "Você fica quieto, aí!”

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Lençois, amantes e ácaros



Uma pesquisa (veja no link, anexo: http://www.bbc.com/…/cienc…/story/2005/01/050118_asmag.shtml) apontou que camas dessarrumadas possuem menos ácaros do que as perfeitinhas; contrariando o nosso perfeito senso de organização. Mas, a resposta é simples: camas arrumadas não possuem o suor dos amantes, os gritos sufocados na noite ou os gemidos trêmulos da carne. Ácaros gostam do suor frio dos solitários, das mãos geladas dos limpinhos e da baba dos chorões de travesseiros. Ácaros são velhos e embolorados, como as camas pouco usadas. Mantenha suas cobertas em desalinho! Nas dobras dos lençois ecoam os sons da noite passada, como se reverberassem pelos túneis de uma imensa caverna. Feliz dia dos namorados!

terça-feira, 2 de junho de 2015



O grito (kiai) deve ser surpreendente, deve vir do âmago, pois está liberando uma energia de ataque. Uma vez que este ataque vem em forma de som, assusta o inimigo e o deixa desprotegido por alguns instantes. Cada pessoa tem o seu próprio kiai, e ele é tão pessoal, quanto uma impressão digital. Um lutador que desejar desenvolvê-lo, precisa fazê-lo brotar, arrancá-lo, de suas entranhas.
Não se ensina um kiai, mas ele pode ser aprendido. Um professor pode orientar, conduzir, o aluno a pesquisar o seu próprio grito. Mas, se tentar ensiná-lo, o resultado será catastrófico. Seu aluno, certamente, cometerá o grave erro de tentar imitá-lo, aprendendo apenas uma forma vazia e estereotipada. O tiro sairá pela culatra. Quando se utiliza um kiai, estando apenas na forma, vazia de energia, ele não provoca qualquer efeito no adversário. Ao contrário, acaba alertando-o sobre o movimento do ataque e o deixa prevenido, facilitando a sua defesa.
O kiai deve ser surpreendente até para quem o emprega, ou então não deve ser usado. Se o lutador não sentir que vai surpreender, é melhor que ele ataque calado.

Trecho extraído de meu livro "Quem teme perder, já está vencido" (Lições aprendidas em uma academia de artes marciais, que podem ser úteis em vários setores de nossa vida) 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Brasas adormecidas



“De vez em quando uma lembrança vem, e nos pega desprevenidos. E, quando vem acompanhada de uma revelação, nos deixa mais surpresos do que curiosos.
Uma lembrança é como uma brasa que ainda arde em silêncio. Vez por outra jogamos água sobre ela; mas, logo em seguida, vem o coração e espera ela secar, para atear-lhe fogo, novamente.”