terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre a estrada


Quando tão jovens
uma estrada só
Queen, Led Zeppelin, Zé Ramalho e Beatles na mochila. 
E todo tempo do mundo para errar.
Ah, as quedas são os atalhos e bifurcações do caminho.
Só existe um único, e principal caminho. 
Let it be, let it be!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Passado, presente e futuro




Se é verdade que no reino do absoluto, não existe presente, passado ou futuro, vivo neste absoluto. Agora, já! Ó tempo, senhor de todos os recortes da lembrança, fortalece o meu passado com gratidão, para que eu continue forte hoje, neste presente respirar. Para que meu peito, aberto e sedento, se encha com todas as possibilidades do vir a ser!

terça-feira, 2 de junho de 2015



O grito (kiai) deve ser surpreendente, deve vir do âmago, pois está liberando uma energia de ataque. Uma vez que este ataque vem em forma de som, assusta o inimigo e o deixa desprotegido por alguns instantes. Cada pessoa tem o seu próprio kiai, e ele é tão pessoal, quanto uma impressão digital. Um lutador que desejar desenvolvê-lo, precisa fazê-lo brotar, arrancá-lo, de suas entranhas.
Não se ensina um kiai, mas ele pode ser aprendido. Um professor pode orientar, conduzir, o aluno a pesquisar o seu próprio grito. Mas, se tentar ensiná-lo, o resultado será catastrófico. Seu aluno, certamente, cometerá o grave erro de tentar imitá-lo, aprendendo apenas uma forma vazia e estereotipada. O tiro sairá pela culatra. Quando se utiliza um kiai, estando apenas na forma, vazia de energia, ele não provoca qualquer efeito no adversário. Ao contrário, acaba alertando-o sobre o movimento do ataque e o deixa prevenido, facilitando a sua defesa.
O kiai deve ser surpreendente até para quem o emprega, ou então não deve ser usado. Se o lutador não sentir que vai surpreender, é melhor que ele ataque calado.

Trecho extraído de meu livro "Quem teme perder, já está vencido" (Lições aprendidas em uma academia de artes marciais, que podem ser úteis em vários setores de nossa vida) 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Brasas adormecidas



“De vez em quando uma lembrança vem, e nos pega desprevenidos. E, quando vem acompanhada de uma revelação, nos deixa mais surpresos do que curiosos.
Uma lembrança é como uma brasa que ainda arde em silêncio. Vez por outra jogamos água sobre ela; mas, logo em seguida, vem o coração e espera ela secar, para atear-lhe fogo, novamente.”

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Vergonha de ser índio


Estou trabalhando em um projeto que resolvi desengavetar. Trata de identidade cultural, de entendemos nossas origens... 
Ando pesquisando um bocado e lendo sobre tudo que encontro. E, rebuscando no Baú de minhas memórias, lembrei de um documentário da TV Record há décadas atrás. Acho que a emissora ainda não era do Bispo Edir Macedo, porque o assunto tratado certamente não seria de seu interesse. Falava do alto índice de suicídio entre os índios, e muitos eram alcóolatras. Estavam em uma completa situação de abandono pelos poderes públicos. O avanço dos católicos e, principalmente, dos evangélicos, em suas comunidades estava causando um estrago considerável em sua cultura. Em determinado momento, um índio entrevistado falou a respeito: 

- Eles aparecem aqui falando de um Deus diferente dos nossos, nos mostram um outro mundo e nos deixam envergonhados de sermos quem somos. Aí a gente fica de um jeito que não dá para entender. A gente quer aceitar esse Deus, mas a nossa alma não consegue. E aí a gente fica sem poder ser índio, e sem conseguir ser como eles. Antes era tudo mais simples. A gente adorava a lua, o sol... a natureza. Tudo estava certo. Agora, a gente não consegue mais se achar em lugar nenhum.

A cena seguinte, foi muito triste, e até hoje eu penso em quem teve a sensibilidade, e o sangue frio, de gravá-la. E editá-la tão bem. Era uma cena doída, contundente, mas necessária. Mostrava um índio, bêbado, saindo de um boteco de beira de estrada. O cameraman foi seguindo-o, de longe, registrando tudo. A estrada era de terra, iluminada por uma lua cheia, que prateava todo o cenário. E o índio, trôpego, em determinado momento parou, e olhou para cima, como que querendo respirar. Mas, logo em seguida, abaixou a cabeça, como que envergonhado, e um gemido, quase mudo, saiu de seu íntimo. E ele seguiu, pela estrada, envergonhado, desonrado, despido de tudo o que mais prezava. Envergonhado da sua sagrada lua, envergonhado por ser índio.

Certa vez um professor me disse: - A gente pode até pensar que não tem nada a ver com as questões indígenas, com os problemas destes povos que vivem abandonados nas aldeias. Mas, aqui no conforto de nossas salas, diante da televisão, a gente vai ser afetado, de alguma forma. Mesmo que não sejamos afetados diretamente, não ganharemos nada com essa alienação toda. Alguma coisa muito preciosa está se perdendo, e nós não vamos saber o que é, até ser tarde demais. Nós sempre olhamos para o índio pensando no que ele não tem. Mas, nós nunca paramos para nos perguntar no que eles podem ter, e que não conseguimos (com toda a nossa arrogância de homens brancos) perceber.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Amanhecer

Busquei por todos os cantos
um canto sobre a manhã
uma ode ao amanhecer
que dignificasse um sonoro bom dia
nada encontrei


E, pela janela eu vi
o sol nascendo silencioso
belo, deslumbrante, poderoso
e entendi


No canto do mundo
estava o poema
Na luz da manhã, estava o verso
e, no silêncio profundo
revelação

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Um ato de desamor


Amigos fumantes, a imagem anexa não é nenhum patrulhamento ideológico. Respeito o direito de escolha de cada um. Mas, é que me lembrei de uma ocasião, em que participei de um ritual Zen Budista, na casa de uma amiga. Após a cerimônia, a maioria dos presentes saiu para fumar, na sacada. Ficaram poucas pessoas na sala. Não sei por qual razão, o mestre que estava lá se aproximou de mim e desabafou, baixinho:

"Eles esperam tanto de mim, mas tão pouco deles. Acham que uma coisa está separada da outra. Minha força, aqui, é unútil! E eu só posso aconselhar, com a paciência de meu espírito, e a fragilidade de um velho. Talvez, em algum momento, eles entendam que cada cigarro que se acende, é um ato de desamor!" 

Nunca esqueci disso.